Colesterol alto pode avançar sem sintomas e aumentar risco de infarto e AVC, alerta cardiologista do HCI

  • 26 de agosto de 2026
Colesterol

O colesterol alto pode permanecer silencioso por anos e, ainda assim, provocar alterações que aumentam o risco de infarto e Acidente Vascular Cerebral (AVC). O alerta é da cardiologista do Hospital de Clínicas Ijuí (HCI), Paula Birk, que chama a atenção especialmente para o LDL, conhecido como “colesterol ruim”, diretamente relacionado à formação de placas de gordura nas artérias.

Segundo a especialista, a ausência de sintomas é justamente um dos principais desafios para a prevenção. “O erro mais comum é associar colesterol alto à presença de sintomas ou ao aspecto físico, achar que, por ser jovem, magro ou ativo, o risco não existe, ou que só vale a pena se preocupar quando sentir algo”, explica Paula.

O excesso de LDL pode se depositar na parede das artérias e desencadear um processo inflamatório que leva à formação de placas de aterosclerose. Com o passar do tempo, essas placas podem crescer ou se romper, favorecendo a formação de coágulos capazes de interromper o fluxo sanguíneo e provocar um infarto ou AVC.

Por isso, a cardiologista destaca a importância dos exames mesmo entre pessoas que se sentem saudáveis. As recomendações atuais indicam o acompanhamento do perfil lipídico em adultos a partir dos 19 anos, com repetição pelo menos a cada cinco anos e intervalos menores para quem apresenta outros fatores de risco cardiovascular. Para crianças, há recomendação de rastreamento entre os 9 e 11 anos, especialmente para identificar alterações como a hipercolesterolemia familiar.

Paula lembra ainda que não existe um valor ideal de LDL igual para todas as pessoas. A meta depende do risco cardiovascular individual, levando em consideração fatores como idade, pressão arterial, diabetes e tabagismo. A genética também pode contribuir para níveis elevados, razão pela qual pessoas jovens, magras e fisicamente ativas não estão livres do problema.

Na prevenção e no controle do colesterol, a mudança de hábitos permanece como uma das principais estratégias. A orientação é reduzir o consumo de gorduras saturadas e alimentos industrializados, aumentar a presença de vegetais, frutas, leguminosas, oleaginosas, grãos integrais e peixes na alimentação e manter atividade física regular.

Nos pacientes que não conseguem atingir as metas indicadas para o seu caso, aqueles que já possuem aterosclerose, que já tiveram infarto ou AVC, o uso do tratamento medicamentoso torna-se necessário. “A medicação não substitui a adoção de mudanças no estilo de vida. O benefício de manter o LDL baixo por mais tempo é substancialmente maior do que começar a tratá-lo tardiamente”, reforça a cardiologista.

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