Cansaço persistente, sonolência, perda de apetite e infecções de repetição. Sintomas comuns na infância podem esconder uma doença grave quando se prolongam ou surgem associados a mudanças no comportamento habitual da criança. A leucemia infantil, apesar de muitas vezes começar de forma silenciosa, apresenta altas taxas de remissão quando diagnosticada precocemente e tratada adequadamente.
De acordo com o médico hematologista do Hospital de Clínicas Ijuí (HCI), Rômulo Cavalcante, o câncer no sangue ocorre quando células responsáveis pela formação do sangue sofrem mutações genéticas e passam a se multiplicar de maneira desordenada. “No caso da leucemia linfoblástica aguda, que é o tipo mais comum na infância, essa alteração geralmente ocorre em um linfócito B, levando à proliferação exacerbada dessas células”, explica.
A leucemia linfoblástica aguda (LLA) representa mais de 30% de todos os casos de câncer na faixa pediátrica, sendo o tipo mais frequente entre crianças. Embora a fisiopatologia seja semelhante à observada em adultos, as diferenças costumam estar nas mutações que dão origem à doença.
Sintomas inespecíficos exigem atenção redobrada
Um dos principais desafios é que não há um sintoma clássico que indique leucemia. O início costuma ser marcado por sinais inespecíficos, como cansaço excessivo, sonolência, inapetência, perda de peso e infecções recorrentes – manifestações que podem ser facilmente confundidas com gripe prolongada, anemia, desnutrição ou outras condições comuns da infância. “Muitas vezes o diagnóstico acontece durante a investigação de outra doença, quando exames laboratoriais acabam detectando alterações compatíveis com leucemia”, afirma o hematologista.
Por isso, o especialista orienta que os pais estejam atentos a mudanças no comportamento habitual. “Se a criança deixa de brincar, não quer interagir, prefere dormir o tempo todo ou se isolar, é importante procurar atendimento médico. Mesmo que não seja leucemia, outras doenças podem ser identificadas precocemente”, explica.
Diagnóstico precoce faz diferença
Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as chances de sucesso do tratamento. Estudos recentes apontam taxas de remissão próximas de 90% nos casos de leucemia linfoblástica aguda infantil com os protocolos atuais. “Além de aumentar as chances de cura, o diagnóstico precoce permite que a criança inicie o tratamento em melhores condições clínicas, menos debilitada para enfrentar as terapias”, ressalta Cavalcante.
O tratamento padrão é baseado em protocolos específicos de quimioterapia – um conjunto organizado de medicações direcionadas ao tipo de câncer diagnosticado. A primeira linha de tratamento costuma durar cerca de dois anos. Nos primeiros meses ocorre a fase de indução, geralmente com necessidade de internação hospitalar. Em seguida, vêm as etapas de consolidação e manutenção, com o objetivo de manter a doença em remissão. Em casos elegíveis, pode haver indicação de transplante de medula óssea.
Além da conscientização sobre sinais e sintomas, o hematologista reforça a importância da doação de sangue e do cadastro no Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME). “A doação pode representar a única chance de cura para muitos pacientes. Qualquer pessoa pode fazer a diferença”, conclui.
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